Em resposta à pergunta que
a mediocridade sempre reinante tem feito sobre a utilidade da
Filosofia, afirma Marilena Chaui:
"Se abandonar a ingenuidade
e os preconceitos do senso comum for útil; se não
se deixar guiar pela submissão às idéias
dominantes e aos poderes estabelecidos for útil; se buscar
compreender a significação do mundo, da cultura,
da história for útil; se conhecer o sentido das
criações humanas nas artes, nas ciências
e na política for útil; se dar a cada um de nós
e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de
si e de suas ações numa prática que deseja
a liberdade e a felicidade para todos for útil, então
podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de
todos os saberes de que os seres humanos são capazes."
(Convite à Filosofia, p. 18)
Se tiveres a ousadia de romper
com os preconceitos, as crendices habituais e a arrogância
dogmática; se não temes o lento exercício
de alargamento do campo iluminado da consciência; se procuras
na elevação do espírito pensante o bem
supremo do Homo Sapiens, esta é uma passagem para a sensibilidade
e a inteligência.
Caso contrário, recolha-te entusiasticamente à
insignificância das globobagens, à vulgaridade
insana da Idade Mídia e aos ressentimentos tenebrosos
da massa inconsciente. Mas não te esqueças de
por a culpa principalmente em ti mesmo. E repete com orgulho
o lema latino, encontrado no Eclesiastes, ajudando a reforçar
a sabedoria bíblica: stultorum infinitus est numeros
(o número dos tolos é infinito...).